sábado, 25 de maio de 2013

TELEMUNDO QUER SER A TELEVISA, SÓ QUE NÃO !

O novelista Aguinaldo Silva revelou que, durante uma das reuniões com os produtores da versão hispânica de “Fina Estampa”, questionou os cílios postiços e o cabelão das atrizes até então candidatas a personagem principal da telenovela, já que a “personagem original” não fez uso desses artifícios. A resposta veio quando um alto executivo da emissora disse que todas as atrizes mexicanas usam “cabellon” e cílios postiços. 

Na minha opinião, o referido executivo não falou a verdade quando fez essa afirmação. Ao menos não nas produções da emissora da “terra do tio San”. Pelo contrário, a Telemundo tem tentado de todas as formas afastar e “estética mexicana” das suas novelas.

Cenários precários, figurinos esfuziantes e maquiagem carregada são alguns dos elementos que são evitados nas novelas da emissora. Esses são apenas alguns exemplos da “Cartilha Televiselesca” que a emissora americana não segue de jeito algum. Aliás, com a concorrência da TV Azteca, a própria Televisa tem evitado esse tipo de coisa, mas isso é assunto para outro texto.

As razões da postura adotada pela Telemundo são óbvias: O que se pretende é ganhar o respeito do público internacional e por tabela angariar cada vez mais espectadores que não são necessariamente os latinos americanos. O que de certa forma a emissora tem conseguido, pois já vi em algum lugar que suas produções têm conquistado uma audiência do público genuinamente americano. Algo extremante improvável há algum tempo.

Outro ponto que chama a atenção tem sido a beleza do seu cast. A maioria das novelas hispânicas antigas até pareciam que tiveram seus elencos retirados de um trem fantasma. Hoje em dia, como se não bastasse o maior critério quanto ao padrão estético, já não há o receio de explorar à exaustão os corpos dos seus atores e atrizes. Não há espaço para tramas representadas com personagens muito pudicos. O que dizer quando o belo se une ao ousado? Quem não gosta dessa mistura?

E os cuidados para mostrar tais belezas também são perceptíveis. Era exatamente neste ponto que eu queria chegar: As atrizes não aparecem com penteados disformes, muito menos com o aspecto de cara pintada. Definitivamente não!

Por isso acho que o Aguinaldo Silva agiu corretamente ao se insurgir contra os cabelos e cílios das atrizes, já que se tem evitado esses excessos em produções anteriores, por que aceitá-los em Marido de Alquiler?

Em contra partida a atitude do diretor da Telemundo, ao dizer que todas as atrizes mexicanas usam esses recursos, até pode ter um fundo de verdade, mas não nas produções da emissora em que ele trabalha. Ao menos isso não é feito de forma tão indiscriminada e natural quanto o que ele tentou transparecer. Admitir o contrário seria estabelecer uma contradição com o atual panorama da emissora.

E sem querer criar celeuma, embora goste de um “furdunço”; devo dizer que o tratamento que a Telemundo tem dado a textos oriundos de outras emissoras tem sido com grande esmero. Vide as adaptações dos textos vindos da TVN do Chile. Tanto o modo de contar as histórias, quanto a forma de fazê-las foram evidentemente inspiradas nas séries de investigação americanas. Quem duvidar do que estou falando procure ver vídeos das versões americanas de “Donde Estás Elisa?” e “Alguien te Mira”.

Enfim, espero que o mesmo cuidado seja empregado com a nova versão de “Fina Estampa” e que o público americano, como um todo, também possa se divertir e se emocionar com a história que fez milhares de brasileiros ficarem diariamente à frente da TV. Só não esperem que ela tenha a mesma qualidade da versão brasileira, porque aí, já é pedir demais.

 

Obs.: Estou demorando para postar porque estou preparando novidades. Em breve vou falar sobre isso.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

EU ACHO QUE ELA NÃO MERECE, MAS MESMO ASSIM: PARABÉNS BAND!




Nesta segunda feira a TV Band fez aniversário. A comemoração foi tão insossa, que nem a emissora fez algo a altura para comemorar seus 46 anos. Eu acho esta emissora bem esquisita. A esquisitice começou quando, na década de noventa, ela praticamente “enterrou” toda a sua linha de shows, infantis e teledramaturgia para se tornar a “TV do esporte”. Algo inadmissível para uma emissora aberta que deve ter uma linha de programação variada.

Para piorar veio o seu novo nome: “BAND”. Até hoje isso não me convenceu. De quem foi a ideia para rebatizar a emissora com um nome desse? BANDEIRANTES soava mais imponente! Como se não bastasse ter perdido a imponência, também perdeu o segundo e terceiro lugares para o SBT e RECORD. Perdeu ou a própria emissora os entregou de bandeja?

Para piorar, quando se busca o que a emissora já produziu, nota-se que o tempo não lhe fez bem. Em parâmetro de comparação com ela mesma, constatamos o quanto a sua programação atual é ruim, fraca e insossa...

A nova cagada da emissora é a de praticamente só produzir novos formatos, se eles forem estrangeiros. Os argentinos ainda vão comprar a emissora. Aliás, essa cagada só não é maior do que a de vender o seu horário mais nobre para uma igreja.

E o que falar da teledramaturgia? Para quem já fez “Os Imigrantes”, “A Deusa Vencida”, “Ninho de Serpentes”, “Cavalo Amarelo” e “Meu Pé de Laranja Lima”, é vergonhoso ver as suas últimas produções.

Aliás, dizem que boa parte do material do arquivo da emissora estaria - sem meias palavras - apodrecendo em cantos e prateleiras da emissora, sem qualquer tratamento de manutenção. Estão destruindo o que a emissora tem de melhor: O seu passado!

Bem, não é preciso ser vidente para saber que o futuro da emissora não é nada promissor. Não se vê notícias de produção de novos programas de auditório ou de teledramaturgia. Esperem sim, uma enxurrada de Reality shows daquela produtora do país do Maradona e ainda muitas séries enlatadas.

Mas como sempre existe uma luz no fim do túnel. A emissora poderia produzir bons programas infantis, novos programas de auditório e principalmente reativar sua teledramaturgia. Material não lhe falta: Que tal refazer as tramas da Ivani Ribeiro, que a emissora tem de sobra? O futuro é nebuloso, mas o poder de fazê-lo brilhar, tal qual a mais lídima luz solar pode estar ao seu alcance. O seu passado foi construído com esforço próprio, o mesmo pode ser feito com o seu futuro.

Parabéns, Band(DEIRANTES) !

 

sábado, 2 de março de 2013

JUSTIÇA DETERMINA QUE PEÇA INSPIRADA EM UM FAMOSO CASO POLICIAL SAIA DE CARTAZ

Outro dia me chamou a atenção uma notícia acerca de uma peça teatral montada pela Cia de Teatro Os Satyros e a razão da minha atenção é o fato de que o espetáculo tem como recorte ou pano de fundo, entre outras, uma famosa tragédia real em que uma criança teria sido jogada do andar de um prédio. Quanto ao caso em si não é necessário ir ao deslinde de detalhes, porque todos bem sabem de qual se trata.

O fato é que a peça intitulada “Edifício London” foi escrita pelo talentoso dramaturgo Lucas Arantes que também lançou o texto em forma de livro editado pela Editora Coruja, o qual tratei de comprar e está na minha estante aguardando a sua vez para ser “devorado”.

Mas eis que, nesta manhã de sábado, tomei conhecimento de que a família de uma das partes envolvidas diretamente na tragédia real tratou de acionar a justiça para retirar a peça de cartaz, logrando êxito em tal intento.

O pior é que infelizmente não tomei como surpresa tal notícia. Eu imaginei que, mais cedo ou mais tarde, iriam fazer exatamente isso. Foi ingenuidade dos produtores envolvidos imaginarem o contrário. Infelizmente as coisas funcionam assim, mas sinceramente espero que o imbróglio não acabe aqui, ao menos não dessa forma, pois, por outro lado, a Cia em questão também tem o direito de se defender e tomar as providências que entender necessárias. Já ouviu o bordão de que um processo pode ser um bumerangue? Nunca duvide disso. Pense mil vezes antes de acionar a justiça, porque se você não estiver bem fundamentado, a depender do caso estará f*****.

Em contrapartida, também acho que esse conflito de bastidor, bem menos glamoroso que o conflito fictício, em última instância também possa se transformar em um chamariz para o espetáculo (se a situação for revertida). Como diz um bom e velho ditado popular lá do nordeste: “Forró que não tem briga, não é forró”.

Mas quando se vai para um forró, “se vai pra um bom rala coxa” e ingenuidade definitivamente não é um elemento que deva se fazer presente. Pois que no meio desse rala-rala, percebo que houve uma certa ingenuidade por parte dos produtores do espetáculo que revelaram sobre em que caso o espetáculo era inspirado (ao menos lendo o que foi divulgado chego a essa conclusão).

Só acredito que não deveriam mencionar o caso real e contemporâneo. Deveriam deixar que o público, por si só fizesse a ilação entre os dois pontos da questão. E se a Justiça fosse acionada não haveria provas de inspiração na realidade. Até porque, casos de tragédias envolvendo entes familiares não são novidades no meio cênico. Inclusive foi divulgado que Edifício London também teve inspiração nas peças teatrais Macbeth, de William Shakespeare e Medéia, de Eurípedes. E estas por si só seriam suficientes para fundamentar defesa em Juízo no meio de eventual dissídio.

Que se fizesse como na época da ditadura: Escrevesse ou dissesse o que quisesse, mas nunca se entregava o ouro para a censura, mesmo o público sabendo do que se tratava.

A questão é que vivemos numa “democracia”, nos desarmamos e perdemos o traquejo para lidar com os detratores ao exaltarmos nossas convicções de peito aberto por acreditarmos na liberdade de opinião e pensamento. Em contrapartida, a censura ganhou novos contornos e entre classificações indicativas e outras coisas mais, vira e mexe, vem com toda a força!

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CUIDADO COM OS ZUMBIS


Eu nunca gostei de zumbis. Nunca achei graça em ver um bando de mortos vivos desfigurados sujos de sangue e meio idiotizados a andarem prá lá e pra cá sem um objetivo definido. Também nunca achei que do ponto de vista dramatúrgico esses seres fossem interessantes por conta da sua apatia, ainda que grotesca.

No entanto, respeito muito quem aprecia ser assustado por esses seres curiosos, até porque eles possuem uma característica que me chama a atenção: a sagacidade em atacar subitamente. Pois, no primeiro deslize da sua presa, entenda-se algum pobre mortal, eles partem pra cima sedentos por um bom e suculento pedaço de carne.

Pois bem, as redes sociais e os grupos de discussão estão cheios de zumbis e são os espaços prediletos desses seres. Eles ficam lá, escondidinhos no mais soturno breu, só esperando um deslize alheio para saltarem sagazmente com sua fome animalesca dispostos a destroçarem a pobre vítima sem qualquer dó ou piedade.

A atuação dessas bestas virtuais é mais acentuada nos espaços em que os integrantes desenvolvem ou pretendem desenvolver algum tipo de atividade artística, seja na área literária ou audiovisual. E como a intelectualidade é um elemento que naturalmente vem a ser demonstrado, ainda que de forma indireta, através de opiniões, artigos, textos ou trabalhos propriamente ditos. É através destes elementos que qualquer cidadão corre o risco de ser fudid*.

Qualquer deslize, seja uma incongruência na fundamentação da sua opinião, um erro de digitação, um erro de português, uma dúvida que demonstre completa falta de maturidade profissional ou qualquer outra coisa que eventualmente se constitua em uma eventual “falha intelectual”, eis que algum zumbi surge para te corrigir ou até para te esculhambar, ainda que fazendo uso de uma singela acidez. Só que toda acidez é destrutiva e não tem jeito de ser diferente.

Em outras palavras, aqueles seres que são inoperantes e nunca aparecem no sentido de contribuírem para o compartilhamento de informações; com a falha alheia, passam a ser dotados de uma imensa fome e eis que saltam a dar o ar da nem tão desejada graça.

A esta altura do campeonato alguém já estará a se perguntar se eu fui vítima de alguma criatura deste tipo e eu lhe respondo que não. Não no sentido de ter passado por uma situação específica, que me colocasse na condição de vulnerabilidade, embora reconheça que já cometi os meus deslizes, o que na condição de ser humano (e não de zumbi) absolutamente não me faz ser melhor ou pior que alguém.

Aliás, ao contrário do que possa parecer, isso aqui não é um desabafo, pois eu nunca, jamais, perderia meu tempo a elaborar um texto, ainda que simples e direto, tão somente para atacar zumbis. Este singelo texto está revestido mais para um ALERTA e até MOTIVAÇÃO, porque eu mesmo já incentivei a todos pretensos escritores, dramaturgos e roteiristas para que se mostrassem e desenvolvessem seus trabalhos ou compartilhassem suas experiências de ordem estritamente profissional “on line”.

Por conta dessa minha recomendação, me vejo na obrigação de também advertir sobre “o lado negro da força”. Saibam que ao se expor, vocês estarão a mercê das pragas virtuais e em caso de uma falha ou escorregadela, deverão estar preparados para a trollagem grotesca.

Saibam ainda, que a ausência de distração é a melhor defesa contra tais zumbis. Estejam preparados para a crítica, o sarcasmo e até a esculhambação. Utilizem o ataque a seu favor e os transforme em aprendizado para evitar novos deslizes. Se tornem mais atentos. Essa é a melhor forma de enfrentar tais seres, para que nunca possam te abater. Pois mordiscar o seu lindo e delicioso corpo, só mesmo quem merece e de outra forma bem mais interessante, não é mesmo? Se é que vocês me entendem.

E para quem não escreve ou não pretende se expor na net, tenha essa postagem como uma certa orientação para as suas vidas. Não deixem que te coloquem na condição de vulnerabilidade, pois é exatamente isso que eles mais desejam. Elevar o outro a condição de fraco é a meta inicial de quem deseja o seu mal. Assim, terão exponencialmente reduzido o trabalho para providenciarem a sua derrocada. Rixe, será que tô uma “cruza” de Augusto Cury com o RR Soares?

De qualquer forma, que os zumbis continuem lá, no quinto dos infernos, de onde nunca deveriam ter saído, a beliscarem a carne do capiroto. E quem tiver com “peninha”, que os leve para casa, mas antes tratem de ir à sessão do descarrego do Valdomiro. Se bem que.... É melhor eu calar a boca e encerrar o texto por aqui!

 

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

HUGO CHÁVEZ AGORA É NOVELISTA


O Hugo Chávez agora tem dado a sua contribuição para o mundo da produção de teledramaturgia. Sua inusitada incursão no mundo da ficção vem agregada com a proposta de fazer novelas socialistas. Um conceito que traz embutido um certo combate a antiga forma de se fazer folhetins, estas vistas como vitrines do capitalismo.

Para tanto, ele “sugeriu” a até então renomada produtora Delfina Catalá que fosse feita uma telenovela que abordasse a Vales do Tuy, o sistema ferroviário inaugurado por ele próprio em 2006 e hoje o único ativo no país.

Com a sugestão, foi criada a novela “Teresa em Três Estações”, uma produção orçada em quatro milhões de dólares financiada com dinheiro público, mas que enfrenta a rejeição de boa parte dos telespectadores.
A trama gira em torno da dura vida de uma mãe solteira, de um estudante de arte e de um motorista de trem, tendo como pano de fundo o folclore venezuelano. Ao que perece, as tramas são costuradas tendo em comum a vida em torno da referida ferrovia. Um bom argumento feito na medida para enaltecer o grande feito do seu criador original.

A produção é exibida pela estatal “Tves” a emissora que ocupou o lugar da estação privada RCTV. Esta última, que por sua vez, ajudou a popularizar o gênero telenovela na Venezuela, teve o destino que todos nós bem sabemos...

Pois é o Hugo, que quando aqui vinha e era recebido com honras e pompas, não poderia deixar que o público ficasse órfão de um gênero tão popular em seu país e logo tratou de colocar uma estação no lugar da outra. Só que desta vez, com algumas ressalvas, afinal, a melhor música é aquela que se quer ouvir.

A curiosidade nesta história reside no fato de que o conflito mais interessante está nos seus bastidores, pois as más (e boas línguas) estão a dizer que nem todos os profissionais que adentraram no projeto sabiam de forma absoluta do que se tratava e tem até relato choroso de gente que tem sido hostilizada por parte do público, pelo simples fato de estar participando do projeto. Malditos anti Chávez, eles vêem maldade em tudo que o seu líder faz!

Pois além de suprir um enorme vazio deixado pela extinta emissora, Chávez evita uma pandemia decorrente da abstenção generalizada de telenovela e ainda garante o emprego de vários artistas. Que nem devem se incomodar tanto com as agressões que têm sofrido por parte do público. 

Como se não bastasse, o gênero telenovela deve ter ganhado mais adeptos, a exemplo daqueles senhores moradores de algum vilarejo mais inóspito - aqueles que ganharam um emprego em uma empresa nacional do ramo petrolífero, cujo mercado se abriu quando expulsaram as estrangeiras do país, entre elas a nossa imponente Petrobrás – pois os mesmos agora já não devem achar que novela é coisa para baitola.

Mas enquanto o grande público não embarca nos sonhos da sua dita novela socialista e se entrega de uma vez por todas ao drama da dura vida da mãe solteira e sua turma. A “TVes” poderia elaborar vários grupos de discussão no sentido de detectar os eventuais erros da sua história. Vai ver que para a maior parte do público a dita continua cada vez mais dura.

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domingo, 28 de outubro de 2012

GUERRA ENTRE EMISSORAS: A RECORD TEM REAIS CONDIÇÕES DE ALCANÇAR A GLOBO?


Como todos bem sabem, 2004 foi uma ano bastante marcante para a televisão brasileira, porque foi a partir dele, que a Rede Record decidiu se tornar verdadeiramente uma televisão competitiva e fazer frente a Rede Globo. Para tanto contratou muita gente boa, investiu em tecnologia de ponta e diversificou a sua grade de programação. Os resultados foram aparecendo e ela se tornou a emissora vice-líder.

Mas o setor que mais recebeu investimentos e trouxe inegáveis resultados, foi sem dúvida o da teledramaturgia, que culminou com a construção do Recnov. Obra que representa de forma “palpável” a evolução da emissora no quesito de produzir novelas, bem como algo bastante significativo no que se refere a expansão do mercado da teledramaturgia. Iniciativa que merece ter voltada para si a torcida de todos nós.

Mas antes que os eventuais amantes da Globo queiram me empalar, lhes digo que também torço pela continuidade da sua inquestionável e qualificada teledramaturgia, desde que não seja desacompanhada de uma concorrente a altura, porque a história da humanidade demonstra de forma irretorquível que o monopólio é uma merda!

Em verdade, não torço por alguma emissora específica, posso dizer que torço pelo sucesso da expansão da teledramaturgia em geral. Porque por tabela desejo a manutenção da ampla concorrência e o crescente número de vagas no mercado de trabalho para todos os profissionais que lidam com este tipo de arte.

E para quem torce por concorrência, há muitos motivos para se animar, pois desde que me entendo por gente, há mais ou menos trinta anos, pela primeira vez percebo que a emissora líder arrumou uma concorrente digna de respeito. Pois, não se pode negar que em matéria de objetivos e resultados de qualidade técnica, a emissora do Bispo Macedo tem sido a que mais se aproximou da “Vênus Platinada”, entre todas que já tentaram.

É claro que todo embate, requer altos e baixos, mas é preciso que se diga que a Record tem duas “armas” com as quais a própria Globo se utilizou para alcançar a liderança: a ampla vontade com objetivos bem definidos e verdadeiras condições financeiras.

Mas apesar de todo o investimento e os bons resultados colhidos, é mesmo possível que a Record (ou qualquer outra emissora) possa alcançar ou até ultrapassar a Globo na sua condição de maior emissora do país? Esta é uma indagação que aposto ser recorrente, até dentro de própria Record. Então vejamos...

Em que pese ser mais fácil para este que vos escreve tentar responder esta indagação, tão somente dizendo que nada é impossível, porque de fato não é. Prefiro seguir o caminho um pouco mais tortuoso, porém mais concreto. Para resumir: vou responder que é possível e dou um exemplo bem oportuno.

Pois bem, há mais ou menos quinze anos, em Portugal, a SIC reinava absoluta no quesito audiência, tendo vez por outra a RTP a dividir as atenções do público. Eis que a TVI resolveu investir na sua programação e para tanto, contratou pessoal, se modernizou e investiu maciçamente em teledramaturgia. Ou seja, fez o que Record está fazendo.

Hoje a TVI é a emissora líder na “terrinha”, embora a SIC esteja reagindo. E é necessário que se diga que o gosto dos portugueses é semelhante ao dos brasileiros, ao menos em matéria de telenovelas. Inclusive as novelas da Globo sempre foram praticamente exibidas de forma rigorosa pela SIC. Ou seja, lá a emissora fez o que parecia impossível: Desbancou as produções da emissora dos Marinho.

Atualmente a TVI tem uma linha de produção semelhante a do Projac. Só que lá, as produções são um pouco mais modestas. A grade de programação segue tendo em média quatro novelas no ar, em esquema parecido com o da própria Globo, inclusive foi exibida uma soap opera de nome “Morangos com Açúcar” que foi transmitida durante quase dez anos e se encerrou em setembro do ano corrente (foi a “Malhação” de lá).

Pois creio que a Record percebeu ou deveria perceber que toda e qualquer emissora de TV que queira crescer, ou ao menos se manter em uma posição confortável se comparada com as demais, deve investir de forma vultosa em teledramaturgia. É ela que fideliza o público e afirmo com toda a certeza do mundo que a própria Globo só chegou onde chegou, por conta da grande aposta que fez nessa área.

Espero que perceba também que antes de tudo, telenovela é história, é texto. Consequentemente texto é autor. Pimba! Era aqui que eu queria exatamente chegar. O êxito ou fracasso de uma novela deve ser creditado INICIALMENTE ao seu autor. Pois os novelistas, estes seres iluminados e praticamente raros, podem ser “o fiel da balança” na disputa pela audiência.

Sem demérito algum aos outros profissionais, é uma história muito bem contada que o público quer ver. E a prova disso é que já existiram superproduções que fracassaram, ao tempo em que novelas com nuances de produções simplórias tiveram um sucesso retumbante: o mérito ou demérito, em ambos os casos se deve inicialmente aos seus autores.

E quando me refiro a boa história, não tenho em mente necessariamente uma obra de inegável qualidade textual, mas a algo que traga para si a atenção da maior quantidade de público e o bom autor, ao menos nos parâmetros dos dias atuais, é aquele que consegue esta proeza cada vez mais difícil. É aquele que aguça a sua perspicácia e se torna sensível para imaginar o que o grande público está predisposto a assistir durante meses.

Logo, os profissionais que oferecem verdadeiras condições de fazer com que a Record se torne uma concorrente verdadeiramente oponente para a emissora líder, são justamente os autores de novelas. Uma novela de sucesso faz com que sua boa audiência se reflita para outros “programas da casa”. Um fenômeno curioso, mas que é verdadeiramente real, vide a atual versão de “Carrossel”, que tem ajudado a tirar o SBT do sufoco. Inclusive, interferindo na média da audiência do dia da emissora do Seu Silvio.

Então aqui cabe uma pergunta: O que fizeram os autores da Record desde 2004, que ainda não a catapultaram ao posto de emissora líder?

Pois eles estavam preparando o terreno e começando a chamar a atenção do público, porque este é justamente o trabalho da comissão de frente: chamar a atenção para si a fim de demonstrar o que vem em seguida. Nesta condição vieram a escrava, os mutantes, novela no morro, no pantanal, novela sobre a máfia... Todas com grade êxito, dentro da realidade da Record. Em contrapartida também vieram produções que não alcançaram boa repercussão, mas foram importantes porque eventualmente apontaram o caminho a não ser seguido.

Em outras palavras, coube a eles começar a atrair espectadores para a emissora e a fazer com que fosse dado início a criação do hábito em torno das suas produções e bem sabemos que hábito é algo que não se cria da noite para o dia, pelo contrário, requer tempo. Um tempo que se confronta com o gosto pelo imediatismo dos excutivos de TV e esperemos que estes sejam pacientes nesse sentido.

Mas novos horizontes devem ser abertos, inclusive no sentido de se procurar produzir a história que seja o “Roque Santeiro” ou o “Pantanal” da Record e demonstre de forma insofismável que alcançar a líder, apesar de ser uma tarefa muito difícil, não é impossível.

Acredito eu, que com o passar do tempo, as cobranças em torno de maiores resultados poderão ocorrer, se é que já não estejam ocorrendo. Mas o que fazer? Onde está a novela prometida?

Gostaria de ter esta resposta, mas os profissionais que eventualmente possam escrevê-la podem estar dentro ou fora da emissora e digo mais: Podem nunca ter escrito uma novela. E isso é possível? É. Pois que todos os grandes autores, principalmente os da primeira geração, começaram praticamente sem uma experiência televisiva anterior.

Na atualidade, o exemplo maior vem de dentro da própria Record, pois sua autora Gisele Joras, após vencer um concurso, foi incumbida de escrever “Amor e Intrigas”, na minha opinião a novela mais redondinha da emissora, até a presente data.

É bom que as perspectivas da Record não se limitem a tentar tirar autores da Globo, o que vai ser uma tarefa cada vez mais difícil, porque, com as constantes perdas - atualmente a do grande Carlos Lombardi -, a emissora do plim-plim vai se blindar de todas as formas possíveis, inclusive oferecendo o céu (e o inferno) para segurar seus profissionais.

Então, as possibilidades estão por todos os lados, também por conta dos que estão fora, inclusive entre quem ainda não teve a oportunidade de escrever uma trama televisiva. Apesar de que, como já disse um renomado autor, um eventual grande novelista seja tão raro quanto um diamante azul. Eu posso dizer que não podemos duvidar da sua existência. Eles só estão escondidos, bem reluzentes, esperando a sua descoberta. Record, é bom se abrir para novas prospecções...

 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

BRINCANDO DE SER O PITANGUY (DAS LETRAS)


Como lhes disse na postagem anterior, tenho retirado da gaveta alguns trabalhos, porque sair da gaveta é o primeiro grande passo para pessoas que estão na minha condição: A de levar a sério, o até então hobby da escrita, para tentar compartilhar de forma profissional “os meus deliciosos devaneios”.

Inicialmente, permitam que eu me explique: O “levar a sério” não implica dizer que nunca tenha tratado a escrita estando comprometimento com o resultado final do que pretendia criar. Só que eu criava tão somente para mim, sem qualquer preocupação em compartilhar com terceiros, muito menos em me tornar um escritor ou roteirista profissional.

De qualquer modo, agora estou constatando a existência de um “fenômeno” que dizem acometer os escritores em sua relação com as próprias criações. Esse fenômeno é o decorrente do “distanciamento da obra”, ocasionado principalmente em função da passagem do tempo.

Certamente vocês já ouviram aquele bom e velho brocado de que “O tempo é o senhor da razão”. E não é que para o caso em tela esse ditado popular cai como uma luva? Agora eu posso testemunhar a favor dos criadores que sempre afirmaram isso, porque atualmente, é exatamente o que estou vivenciando junto as minhas obras outrora engavetadas.

Rascunhos de roteiros de filmes, de livros, de peças de teatro, são como se não fossem totalmente meus. Obviamente reconheço minha intelectualidade neles (para o bem ou mal); mas essa percepção aparece desprovida do “amor” oriundo do envolvimento latente e imediato com a obra.

Como todos sabem, o amor é fogo que arde sem.... Puts, decalcar “aquele outro” agora é foda! O fato é que o amor criativo, por mais fugaz que seja; vai se enfraquecendo na medida em que o tempo vai passando. Poxa, até aqui, o amor é efêmero!

Em contrapartida, estou sendo acometido pelo senso crítico de uma forma ainda mais acentuada e os efeitos disso são bastante curiosos, pois, determinadas obras, que à época da sua criação, eu achava muito boas, agora percebo ser melhor que continuem a ficar no canto mais inalcançável da minha gaveta. Por outro lado, descubro coisas bem bacanas que chego a me questionar se fui eu mesmo que as escrevi. E me desculpem a babação, mas todo pai também tem o direito de lamber a sua cria. Por que só as mães?

É exatamente em torno das coisas que acho bacanas que estou me debruçando e fazendo os retoques que entendo necessários. Afinal, eu sou o tipo de criador que normalmente cria “em cima” do que imediatamente capto por aí: Um fato, uma notícia, uma pessoa, uma experiência própria ou alheia... Dessa forma, a contemporaneidade entre a percepção do objeto inspirador e o desenvolvimento da idéia, acaba sendo uma característica recorrente em minhas obras. Isso acaba por influenciar a forma com a qual desenvolvo a minha narrativa. E a forma de materializar a ideia, quando as escrevi há muito tempo atrás, pode não funcionar na atualidade.

Tirando daqui, colocando ali, modificando por acolá; eu vou realizando uma verdadeira maratona de adaptação no intuito de torná-las mais interessantes aos olhos dos meus atuais anseios.

É um trabalho que tento fazer de forma minuciosa e sem alterar a verdadeira essência das criações. Dá um trabalho danado, mas com as cautelas indispensáveis, espero que consiga torná-las joviais sem fazer parecer que usaram botox. Afinal, o amor acaba, mas o respeito sempre deve permanecer. Não é o que também diz a sabedoria popular?

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domingo, 30 de setembro de 2012

VAMOS SAIR DA GAVETA?


            Sempre tenho visto, de uma forma recorrente, em alguns grupos de discussão destinados a escritores, roteiristas e afins, alguém perguntar como fazer para se tornar um escritor, lançar um livro ou até mesmo se tornar um autor de novela da Globo. Em todos os casos, a condição de iniciante do eventual profissional se torna explícita e em casos extremos, como o da última questão, a ingenuidade é latente.

De antemão já digo que, em casos desse tipo, a ingenuidade não é um pecado, ainda mais se o pretenso profissional não foi criado ou não vive no meio artístico para se inteirar com a dinâmica de absorção de novos profissionais pelo mercado literário ou audiovisual. E nesses casos a ausência de referência é um grande entrave. Até porque, para o bem ou mal, ser parente ou amigo de alguém “do meio” pode ser um fator determinante para o ingresso em um “mundinho tão fechado”.

Esse texto é exatamente uma pequena contribuição para os pretensos profissionais que têm, ou acham que têm talento com a escrita, mas não conseguem ou não sabem o que fazer para se tornarem profissionais. E já digo que para alcançar este intento, não há fórmulas prontas ou caminhos coloridos que desemboquem em um baú repleto de ouro. No entanto algumas atitudes podem fazer diferencial favorável se forem seguidas. De uma forma simples e direta, mas verdadeira as compartilharei com você. São elas:

 

1º Você deve ser muito criativo

A criatividade é uma característica congênita, ou seja, a pessoa já nasce com ela. Ela pode ser lapidada com a leitura de bons livros, assistindo bons filmes, boas peças de teatro e fazendo bons cursos. E nesses casos quando digo bons, não estou canalizando a questão para gêneros. Tenha acesso a tudo: Drama, comédia, terror, tudo... Quanto aos cursos. Saiba que não existe algum que possa torná-lo criativo. Corra dos que prometem isso. É mentira, puro caça níquel. A criatividade pode ser lapidada. Os cursos podem ajudá-lo a se tornar MAIS criativo. Nunca torná-lo criativo. Essa é a mais pura verdade.

Como se não bastasse, a criatividade deve estar voltada para a escrita, que é o início de tudo. Algumas pessoas são muito criativas, mas a sua criatividade está relacionada com outros campos de atuação. Se você não é criativo e não tem aptidão para a escrita. Dificilmente será um escritor, dramaturgo ou roteirista.

 

2º Seja um bom observador;

Se você perguntar a um escritor profissional o que é necessário para ser um bom profissional, seguramente ele te responderá: Leia muito e leia bons livros. Ele está corretíssimo, mas antes disso você deve ser um bom observador. É com a observação que você despertará a sua inspiração. Aprenda a observar. Observe as pessoas, as notícias, os fatos e acontecimentos. Tudo é motivo para se inspirar. Abra os seus campos sensoriais para o mundo e você verá que não haverá necessidade de se refugiar em uma casa de praia ou da colina em busca de inspiração, porque os elementos estão por toda a parte só esperando que você os note.

 

3º Goste de escrever;

O gosto pela escrita é algo que deve ser inerente a você. Algumas pessoas não têm paciência para escrever. Não conseguem se concentrar. Querem se tornar roteiristas ou escritores, tão somente por causa do glamur e o eventual assédio das pessoas. Ao se perguntar por que você quer ser escritor e o fator determinante for o glamor, festas e o dinheiro, definitivamente esta não é a sua área. Até porque, de modo geral, não há glamur em ser escritor. Mas se você só consegue ver isso como meta, esqueça! A escrita não é a sua área.

 

4º Domine o português;

Algumas pessoas têm uma facilidade em dominar o português, outras não. Se este for o seu caso, não tenha vergonha. Estude. Faça cursos. Um projeto com erros na escrita certamente vai “depor” contra você. Tenha sempre em mãos uma boa gramática e um bom dicionário. O português se aprende.

 

5º Goste de ler;

Leia. Leia muito. Livros, textos de peças de teatro, roteiros de filmes, jornais, revistas, bulas de remédio. Aqui também não se restrinja a gêneros. Leia obras dramáticas, juvenis, de terror, de ficção. Se abra para todos os gêneros e tente se preparar para ser um escritor ou roteirista “pau para toda obra”. Lembre-se que se você se tornar um profissional, poderá escrever aquilo que te encomendam. Não exatamente o que você quer escrever.

 

6º Goste muito de você;

Como assim? Poderás perguntar. Ocorre que a profissão de escritor é genuinamente uma profissão solitária. Logo, você tem que se resolver muito bem sozinho. Gostar de estar só e até tirar proveito da solidão. O que não estou dizendo para que você se feche ao trabalho em grupo. Pelo contrário, também terá que saber trabalhar em equipe. Mas o trabalho em equipe não é uma regra nesse meio.

 

7º Seja verossímil;

Ser um bom escritor ou roteirista não significa escrever a La Ruy Barbosa, ou seja, escrever rebuscado e difícil. Pelo contrário, um livro ou um filme, via de regra, são obras de cultura de massa, ao menos que o público alvo seja específico (uma classe ou categoria profissional, por exemplo). Escrever de forma simples e direta é uma obrigação. Alguém já disse que escrever difícil é fácil, o difícil é escrever fácil (ou foi mais ou menos assim). E essa é uma grande verdade. Você pode escrever de uma forma muito difícil, que só você compreenda, mas tornar a sua obra altamente compreensível sem subestimar a inteligência do público é uma grande arte.

Em tempo; a construção de boa narrativa ou bons diálogos devem estar em consonância com a realidade e o tema com os quais você esteja retratando, o que não significa necessariamente o uso de palavras difíceis ou pouco usuais.

 

8º Controle a ansiedade;

Nunca envie o seu projeto sem ler e revisar diversas vezes. A cada nova leitura você vai notando que pode melhorar e até encontrar erros de português ou de digitação, o que pode comprometer a aceitação do seu projeto. E cuidado com os corretores de texto. Eles são sistemáticos e erram muito.

Saiba que muitos produtores são maleáveis com o português, outros não. Aliás, têm alguns que se prendem a escrita e não a idéia ou a narrativa. Acreditam eles que são professores de português.

 

9º Saia da gaveta;

Muita gente tem talento, mas é acometido por preguiça, receio ou comodismo de tornar públicas as suas obras. Tire-as da gaveta. Saia da zona de conforto. Dê a cara para baterem. Efetue o registro na Biblioteca Nacional. Espere receber o certificado de registro e depois mostre ao “mundo e ao fundo”. Mostre aos seus amigos, parentes e aderentes. Mas nunca confie plenamente na opinião dessas pessoas. Tenha bom senso. Amigos e parentes não querem magoá-lo e se o que você escreveu for muito ruim, eles poderão não revelar isso ou não dirão nas palavras que você deveria ouvir. Nunca pergunte o que a pessoa achou. Pergunte o que você acha que deveria mudar ou melhorar.

 

10º Trace metas;

Muitas pessoas são brilhantes. Mas tem tantas ideias e projetos que querem fazer tudo ao mesmo tempo. Acabam atropeladas pelos próprios projetos, desistem de prosseguir na empreitada e acabam por nunca concluírem coisa alguma.

Trace metas demarcadas por tempo. Anote esquematicamente o que você vai escrever ou apresentar. Esboce fases para cada projeto. Primeiro o que você vai escrever. Depois para quem vai enviar e assim por diante. Só passe para um novo projeto quando você esgotar todas as fases do anterior. É melhor ter poucos projetos concluídos e enviados para as pessoas certas do que ter muitos sem que sejam concluídos, o que equivalem ao nada absoluto.

11º Torne-se público;

Torne seu nome conhecido (de uma forma digna, claro!). Essa é a parte mais fácil de todas. Crie um blog, um site, faça parte das redes sociais. Escreva sobre suas experiências, sobre o que você está fazendo. “Venda a sua imagem” ou melhor o seu nome. Quando montar a sua página saiba que estará a mercê de todo tipo de gente. É um preço que se tem a pagar. Se agredido gratuitamente, não brigue calorosamente. Evite baixaria. Nunca retruque com palavrões. Saiba que você está sendo visto. Mas também tente tirar proveito da agressão. Interaja com o agressor de uma forma sarcástica, irônica e debochada. Os pequenos arranca-rabos também tornam o seu perfil movimentado. Em caso de agressão extrema ou calúnia grave, saiba que o eventual caminho será a Polícia mesmo. E isso serve para você e para os outros. Portanto, cautela com as palavras.  

 

12º Conheça pessoas;

Siga e tente ser amigo virtual de produtores, diretores, escritores, dramaturgos e roteiristas renomados. Tente interagir com eles. Mas respeite as particularidades de cada um. Nunca puxe assunto sobre a vida pessoal deles. Se estiverem envolvidos em polêmica de ordem pessoal. Se finja de morto, a não ser que a própria pessoa dê margem para isso, ao fazer algum comentário na própria rede social. Nesse caso, dê o seu apoio moral singelamente. Sempre esteja atento ao que eles fazem no campo profissional e se eles merecerem, elogie. Não se constranja em elogiar. Só não seja puxa saco. Isso soa falso. Eles irão perceber e você não vai ser respeitado. Só vai ser visto com um mero seguidor.

 

13º Seja o alvo e não a flecha;

Se quiser ser escritor, dramaturgo ou roteirista. Saiba que você será o alvo e não a flecha. Não publique notícias das celebridades ou de fofocas, também não seja um crítico. Evite emitir opinião sobre as obras alheais em seu site. Ainda que o que você pense seja a mais pura verdade. Saiba que neste meio os egos são muito inflados e o que você escreve desfavorável a alguém pode se voltar contra você em um futuro próximo.

Enfim tente ser criador e não crítico do criador. Esteja do “lado de cá” e “não do de lá”.

 

14º Vai atrás das oportunidades.

Depois de seguir todos estes passos, vai a busca das oportunidades. Afinal, de nada adianta você estudar, se aperfeiçoar, ser um criador brilhante, se não encontrar quem se predisponha a ver o que você escreveu. Para o pretenso escritor, existem inúmeras editoras que têm departamentos especializados em receberem e analisarem originais. Naquele famoso site de busca, pesquise as editoras que estão recebendo originais. Leia com atenção a política de recebimento. Ou se preferir vai até uma livraria e nos diversos livros que lá estarão, atentem através dos selos impressos, anotando o maior número de editoras que você puder. Depois entrem no site de cada uma e veja se elas recebem originais. Veja o catálogo de obras já lançadas e compare se a sua obra está dentro do perfil da editora. De nada adianta enviar uma obra de ficção se ela só publica livro de auto-ajuda, por exemplo.

Em relação a roteiro de filmes, vão no site da associação brasileira dos produtores independes. Entre no site de cada uma da produtoras e façam o mesmo do que foi descrito no parágrafo anterior.

Quanto a TV a coisa é mais complicada. A TV Globo NUNCA vai analisar sua sinopse. É recomendação do departamento jurídico mesmo. Os autores, diretores ou produtores não podem analisar originais de quem não é da própria emissora. Faça o que eu disse até aqui e espere a Globo vir atrás de você. É ela quem recruta roteiristas. Não é você quem vai recrutar a emissora.

Quanto as outras emissoras eu não sei. Mas acredite, se você não for conhecido, sua sinopse não vai ser analisada sob hipótese alguma. Se você já estiver seguro pode tentar as emissoras de TV estrangeiras. Vejam as do Chile, Colômbia, Portugal e de Angola.

Bem, essas são algumas dicas que este que vos escreve tem para compartilhar com você. Depois de muito pesquisar e entender como funciona o mundo da escrita cheguei, por conta própria, a tais caminhos. Estou seguindo tudo isto a risca. É muito difícil e confesso que já pensei em desistir, mas é bem melhor que se submeter ao “teste do sofá”. Se é que ele existe nesse meio.

Enfim, saia você também da gaveta. Numa época em que até “sair do armário” já não é algo tão custoso. Não é uma mera gaveta que vai ser um entrave na busca dos nossos sonhos, não é mesmo? E sucesso para todos nós.




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segunda-feira, 23 de julho de 2012

O PROBLEMA DO CINEMA NO BRASIL É O ROTEIRO?

Você já deve ter ouvido falar que o problema do cinema brasileiro é o roteiro. Há meia verdade nessa questão, assim como obviamente, meia mentira. Isso porque é necessário avaliar o que se passa na linha de produção dos filmes e o que de fato acontece com os seus roteiros até que alcancem o seu resultado final.
Da forma que está, o roteirista é o profissional mais inglório de toda essa linha de produção, porque quando entrega o seu roteiro escrito aos diretores ou produtores, perdem por completo a sua relação com “seu filho” e os outros decidem criá-lo da forma que bem entendem.
Eu explico, é que no Brasil praticamente não há a figura do “roteiro autoral”, ou seja, do roteiro que traga em si a completa intelectualidade do roteirista, já que alguns diretores ou produtores, quase sempre, decidem mexer no que está ali escrito. Um absurdo!
O tratamento dispensado ao roteiro é o equivalente ao dado a uma mulher de “beira de estrada”. Quem pagou se acha no direito de ir metendo a mão onde bem entender.
É grande o número de roteiristas que se desapontam com essa realidade, mas é fato também que essa relação nem sempre é um “mar de rosas” e de vez em quando ocorre uma rusga aqui ou ali.
Então se a questão é vista com este “pequeno detalhe”, o problema do cinema brasileiro não é o roteiro, mas o tratamento que é dado na forma de se utilizar um roteiro já escrito. Porque quando alguém que não tem o conhecimento técnico específico para a sua escrita, se aventura a reescrevê-lo, as consequências podem ser catastróficas e teve até caso de roteirista que pediu para que seu nome fosse retirado dos créditos do filme, por conta do resultado desastroso do roteiro definitivo.
Então a coisa fica da seguinte forma: se o roteiro é bom e o filme faz sucesso, o crédito vai para o diretor, mas se o filme fracassa por um roteiro ruim, o primeiro a “tomar no toba” é o roteirista.
Portanto, antes de falar mal dos roteiros dos filmes nacionais, dizendo que eles são ruins ou que lhe faltam ousadia e criatividade (o que na maioria das vezes é verdade), saiba que existe todo um processo onde muitas mãos se enfiam onde não deveriam.

domingo, 8 de julho de 2012

O MERCADO DOS QUADRINHOS NO BRASIL

Eu escrevo desde muito pequeno e embora tenha ficado muitos anos a ser um “escritor de gaveta”, nunca me distanciei dessa minha, digamos... habilidade, ou seria missão? Pois bem, a lembrança mais remota que tenho comigo, é a de muito pirralho estar sentado desenhando garranchos e escrevendo diálogos dentro de balões; ou seja, se não estou sendo traído pela memória, os quadrinhos foram a minha primeira incursão no mundo da escrita.

Ainda pré-adolescente, me lembro da coleção de revistinhas que tive. Muitas da Disney e algumas de super-heróis. Os quadrinhos sempre me acompanharam e sua leitura foi uma grande paixão, mas por uma dessas ironias da vida, perdi o interesse por esse tipo de arte.

Mas como o que está na nossa essência nunca é dissociado de forma absoluta da nossa pessoa, eis que, nos últimos tempos, minha atenção para esse nicho voltou de forma descomunal e estive a vasculhar o mercado editorial atrás do que tem sido lançado e produzido no nosso país e fiquei surpreso com o que vi.

A quantidade de quadrinistas talentosos que estão a produzir bom conteúdo é algo estarrecedor. Sem qualquer sombra de dúvida, o Brasil é um dos países com a melhor qualidade de profissionais dessa seara criativa e algumas transformações mercadológicas têm contribuído para isso.

Em primeiro lugar, a internet tem ajudado na divulgação dos trabalhos, aglutinando um público específico voraz em consumir quadrinhos, gibis, HQ´s e Comics (seria tudo a mesma coisa?). Em segundo lugar, tem havido uma comunhão de esforços e ideias entre quadrinistas e escritores para o lançamento de novos projetos.

Foi essa segunda parte que me chamou a atenção, pois no ano de 2011, as parcerias de profissionais que antes estavam em segmentos distintos, vieram a se consolidar de uma forma mais intensa. O que não é de se estranhar, já que todos são criadores cujas habilidades se completam de uma forma extraordinariamente simbiótica.

O número de títulos lançados também cresceu consideravelmente e a expectativa é de que haja seu aumento, já que está em trâmite um projeto de Lei que prevê uma cota mínima de 20 % de títulos nacionais a serem mantidos pelas editoras que editam quadrinhos.

Eu sempre tenho, cá comigo, minhas ressalvas com toda e qualquer forma obrigatória de cotas, mas ao contrário de umas e outras, esta até que é bem intencionada. Os seus efeitos, só o tempo nos dirá.

Mas como já disse, o número de quadrinhos ou projetos a serem lançados é considerável e entre os de extraordinária qualidade está o “Comando V” (leia-se: Comando 5).

Não, o “Comando V” não é fruto de uma grande editora americana. Ele é produto de quadrinistas brazucas. Mas brazucas das unhas do pé, até o último fio de cabelo e por essa única ilustração, vemos que a turma envolvida nesse projeto não vai deixar nada a dever em relação a qualidade artística dos gringos.

O HQ conta a história de um grupo de heróis que unem forças na luta contra os grandes problemas da nossa realidade, mas com uma inimiga adicional: a corrupção. Talvez esta seja a maior “força do mal” já enfrentada por qualquer herói, não é mesmo?

Sua criação e os desenhos são de Allan Goldman, que já desenhou Superman, Titãs e muitos outros pela editora DC Comics. Isso mesmo DC COMICS! Os roteiros são de JJ Marreiro.

Se depender dos nomes envolvidos, aposto que “Comando V” será sucesso garantido. O que poderemos conferir muito brevemente.

 Fiquem atentos para quando a revista chegar às bancas. Sei não... Mas acho que minha antiga paixão vai ressurgir e aqui com uma vantagem: vou ter o prazer, de ao menos na ficção, ver a corrupção ser duramente combatida.

PS: Estou enfrentando problemas técnicos para inserir as ilustrações do "Comado V" na postagem. Vou ficar devendo essa para vocês até que consiga solucionar este entrave.

Onde estou: @TonnyCruzBR