sexta-feira, 4 de maio de 2012

ONDE ESTÁ A MINA DE OURO?

Todo mundo sabe, ou deveria saber, que a teledramaturgia é o principal produto da maioria das emissoras de TV de todo o mundo. Eu utilizo o termo “produto”, porque é exatamente isso que ela é; embora, por convicções artísticas, tenha quem insista em defender o contrário. O que eu acho um posicionamento ultrapassado, tendo em vista a linha de produção que se exige para colocar no ar um capítulo de uma telenovela ou até mesmo de uma série ou seriado.
No quesito telenovela, todos sabemos que o Brasil (entenda-se TV Globo) sempre reinou no quesito qualidade do texto e de produção. Embora, hoje existam controvérsias quanto ao primeiro caso.
Mas deixando o quesito, alta qualidade de lado, outros importantes mercados produtores sempre tiveram destaque, tais quais a Venezuela, com a poderosa Venevision e a extinta RCTV, que o Hugo Chaves, amicíssimo do ex-presidente Lula, achou por bem fechar; um ato que, em outros tempos faria, os “companheiros” ficarem vermelhos, mas de vergonha. Destacava-se também a TELEFE da Argentina, que já teve dias melhores.
Mas no quesito distribuição, a TV Globo sempre teve um páreo duro a enfrentar: a Televisa do México, certamente você já deve ter assistido, ao menos uma telenovela do seu catálogo de produção. Já ouviu falar em Carrossel? E na maioria das novelas estrangeiras já exibidas pelo SBT?
Pois bem, na última década a Televisa tem reinado absoluta na distribuição de telenovelas, fazendo com que a Globo perdesse um pouco de terreno. O que tem feito a emissora dos “Marinho” se movimentar, inclusive na busca de co-produções com outras emissoras estrangeiras, como forma de garantir sua firme atuação internacional.
Mas o próprio panorama mundial tem se modificado com o aumento de "pólos de produção" de telenovelas, por um lado dentro dos países que já tinham essa tradição, como também entre países que praticamente não produziam este produto.
Na Argentina tem aumentado o número de produtoras independentes que têm se voltado para esse nicho, a exemplo da poderosa Cris Morena Produções, especializada na produção de tramas infanto-juvenis. Foi de lá que saíram as versões originais de Chiquititas e Rebelde.
Em Portugal a TVI, que em um fantástico crescimento fez o que a Record está tentando fazer por aqui: Investiu pesado na linha de telenovelas e conseguiu ultrapassar a então líder SIC. Hoje a TVI mantém praticamente três novelas no ar consecutivamente, numa escala de produção semelhante a da TV Globo, embora com algumas particularidades. Entre as quais a de que lá, os autores das novelas não fazem parte do casting das emissoras, mas de agências especializas em gerar conteúdo para as TV´s, a exemplo da Casa da Criação.
Mas quatro países merecem séria observação, pelo que da fato já estão se transformando, quanto pelo fato do que podem vir a se tornarem. O primeiro são os EUA, que na Flórida tem atraído para si uma legião de profissionais, a maioria latinos, como forma de constituírem mão de obra para as novelas da Telemundo e Univision, emissoras voltadas para o público hispânico da terra do Tio San. Este mercado vai ganhar uma postagem própria nos próximos dias.
Os outros três países, são Colômbia, com a RCN e a TV CARACOL, que têm aumentado significativamente as suas produções, sendo a primeira inclusive celeiro de histórias. Muitos dos seus roteiros têm tido os seus direitos comprados e têm se transformado em novelas de êxito da Televisa, entre elas Soy, Beth a Feia, que no México, ganhou uma nova versão e virou a Feia mais Bela, o SBT já a exibiu duas vezes, e a Record fez uma versão exitosa: Bela, a feia.
Outro país é o Chile, sim o Chile tem muito mais que gente sendo soterrada nas minas de cobre, pois que um dos últimos grandes acidentes se tornou na maior novela dos últimos tempos, o que a mídia adorou, pois praticamente lhe saiu a custo zero. E apesar de ter tido a repercussão que teve, o fato não foi capaz de alterar em quase nada a realidade dolorosa dos mineiros daqueles do país.
Mas voltando ao assunto, lá no Chile, quem tem ganhado destaque na produção de telenovelas é a TVN, principalmente pelo fato de estar buscando uma identidade própria, “sugando” o melhor de cada pólo produtor, quais sejam a TV Globo, a Televisa e as emissoras dos EUA, em particular das suas séries policiais e de investigação.
O resultado é que praticamente todas as últimas novelas da TVN têm tido os seus direitos comprados pela Telemundo e ganhado versão própria nos EUA, a exemplo da novela Donde estás Eliza? Uma trama de investigação policial, que tinha o foco no desaparecimento de uma garota.
Por fim tem Angola, com a sua TPA, (TV Pública de Angola), que construiu um complexo de produção de duzentos mil metros quadrados, tornando-se, em termos de infra-estrutura, totalmente capaz de produzir boas novelas. Inclusive, há alguns anos fez Minha Terra Minha Mãe, que não foi produzida neste complexo, mas merece o nosso destaque por conta de ter sido assinada por uma roteirista brasileira.
É aí que reside a curiosidade graciosa de todo esse mercado, ele é aberto para profissionais da escrita, principalmente os brasileiros. Numa curiosidade que se confronta com a realidade atroz do Brasil, onde as emissoras de TV são verdadeiros territórios de muralhas intransponíveis aos novos roteiristas.

Também estou lá no twitter:
@TonnYCruzBR

2 comentários:

  1. Muito bom seu texto, Tony, principalmente o último parágrafo, que traduz todos os nossos anseios e frustrações.

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  2. Obrigado pela visita. Volte sempre.

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